A certeza da escolha do Recife como subsede para a Copa de 2014 era refletida no semblante dos moradores de São Lourenço da Mata. Por volta das 11h30 de ontem, quatro horas antes do anúncio oficial, o pátio de eventos situado no centro da cidade intitulada como a Capital Nacional do Pau-Brasil começava a ser tomado por uma multidão. Mais de 15 mil pessoas tentavam vestir o espaço de verde e amarelo. Cartazes e banners estampavam, em letras reluzentes, a "Cidade da Copa". A principal atração, apesar dos investimentos, era um quase tímido telão. Faltava ouvir a voz do presidente da Fifa, Joseph Blatter, direto das Bahamas, divulgar o resultado esperado. "Sou otimista. Mas não custa nada ser precavido", declarou o desempregado Raul Domingos, 45 anos, minutos antes de explodir em alegria.
Com os sons de gritos e fogos, Raul sequer escutou o restante das cidades escolhidas. Não foi necessário. Quis mesmo comemorar a oportunidade de ver a Copa do Mundo detão perto. E, principalmente, vibrar com a maior possibilidade de arranjar emprego. "O comércio e o setor de construção irão ficar movimentados. Espero arrumar algo. Quem sabe, dê até para juntar um dinheirinho para assistir a algum jogo", encheu-se de esperança.
Cerca de um R$ 1,8 bilhão devem ser investidos na agora oficial Cidade da Copa - R$ 500 mil para a construção da arena multiuso e o restante para obras de infraestrutura em São Lourenço da Mata e municípios vizinhos.
Entre risos de satisfação, o aposentado Severino Cunha, 66 anos, discorreu lamento sobre a incessante menção a Recife como subsede da competição. "Quase não estão falando no nome de São Lourenço. O município deu um grande passo para o desenvolvimento e precisa se manter em evidência", alertou, beijando o escudo da Seleção Brasileira e garantindo despreocupação caso a Canarinha não dispute partida em Pernambuco. "Eu vou para qualquer jogo. É uma chance rara e única de presenciar esse belo espetáculo."
No último mês de maio, integrantesdo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) previram - depois de vistorias realizadas em cada candidata ao posto de subsede - os triunfos de Recife, Natal, Fortaleza e Salvador, as quatro capitais nordestinas concorrentes.
Sobre os planejamentos pernambucanos, o consultor Jorge Hori admitiu ter os encarado como grata surpresa. "Nenhuma cidade está pensando em um crescimento tão grande", frisou.
O aposentado Gilberto Falcão de Moura, 72 anos, disse ter passado a manhã inteira decorando a frente da casa com balões e bandeiras do Brasil. Depois do anúncio, afirmou ter completado três motivos para a comemoração.
"Primeiro, vibrei com o anúncio do Brasil como sede da Copa. Agora, comemoro a escolha da minha cidade e das outras três nordestinas. É muito bom para a nossa região ter quatro cidades entre as escolhidas", concluiu.
Fonte: Diário de Pernambuco